Governo contraria a vontade dos defensores da democracia na mídia

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No dia 29 de junho o governo federal oficializou a opção pelo padrão japonês para a implantação da Televisão Digital no Brasil. Em Nota Oficial a Federação Nacional dos Jornalistas criticou a escolha e afirmou que o governo brasileiro tomou uma decisão equivocada ao optar por uma transição tecnológica para os sistemas de radiodifusão de sons e imagens no Brasil, subordinando-se aos interesses privados dos radiodifusores e aos interesses comerciais das indústrias japonesas.

A posição do governo contraria as manifestações de diversos segmentos da sociedade brasileira que se articularam na Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital. A Frente também lançou Carta Aberta sobre a posição do governo. “Apesar dos insistentes apelos para que a decisão fosse tomada a partir do diálogo com os diversos segmentos da sociedade, o governo mantém uma postura pouco democrática, privilegiando a interlocução com os representantes das emissoras comerciais de televisão e negando-se a abrir espaço semelhante às organizações sociais”, afirma o documento.

Para a FENAJ, esta posição do governo não colabora para a democratização da comunicação e para a inclusão social no Brasil. “Ao subordinar-se aos interesses privados dos radiodifusores e aos interesses comerciais das indústrias japonesas, ao mesmo tempo em que dá aval à invasão dos grandes conglomerados transnacionais de comunicação, o governo brasileiro optou por criar um isolamento político e econômico que dificilmente colaborará para a democratização da comunicação e, muito menos, para a inclusão social do povo brasileiro”, registra a posição oficial.

A entidade, no entanto, não considera esta luta perdida, e conclama a categoria e a sociedade para reverter a posição do governo. Segundo o documento, “nos próximos anos, a tarefa histórica dos jornalistas e dos cidadãos brasileiros de democratizar a comunicação para se ter democracia na sociedade passará pela necessária revisão desta decisão unilateral, contraditoriamente de igual pendor estatizante e patrimonialista”.