Demissões no Jornal do Commercio: quem paga a conta mais uma vez é classe tabalhadora

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Em um ano atípico, em meio de uma pandemia mundial que está matando milhares de pessoas, dizimando economias e fechando as portas para a possibilidade de novas vagas de trabalho, o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação se mostra completamente insensível e abandona dezenas de jornalistas ao desemprego. Os mesmos que costumava chamar de colaboradores até há pouco tempo. Nesta segunda-feira (14/12), o SJCC demitiu mais de 20 jornalistas do Recife e de Caruaru, no Agreste pernambucano. Profissionais, alguns com mais de duas décadas de empresa, que atuavam no Jornal do Commercio, TV Jornal, Rádio Jornal e no Portal NE10.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) recebe a notícia com perplexidade e a vê como uma medida descabida e inconsequente. Enxugar gastos, em um momento como este, com a demissão de trabalhadores comprometidos, experientes e que se dedicaram, por anos a fio, ao grupo que pertence ao conglomerado do empresário João Carlos Paes Mendonça, é de uma maldade sem tamanho.

Afinal de contas, a impressão que fica é a de que os trabalhadores e trabalhadoras só são chamados de colaboradores como forma de se condicionarem as situações rígidas de trabalho. De se sentirem parte do processo enquanto então alienando a sua força de trabalho. Mas quando esses mesmos trabalhadores e trabalhadoras mais precisam do reconhecimento e do colaborador mor, são simplesmente defenestrados. O Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco e a Federação Nacional dos Jornalistas sentem vergonha desse tipo de comportamento vindo do empresariado de comunicação pernambucano.

Após uma negociação na campanha salarial de 2020, onde o discurso foi evitar demissões no meio da Pandemia da COVID-19, o SJCC joga a conta mais vez para o trabalhador. Em 2018, uma demissão semelhante prometia reestruturação do sistema, o que nitidamente não aconteceu. Um processo de precarização das relações de trabalho contínuo ao longo dos últimos anos em Pernambuco. E além de prejudicar a vida daqueles que estão sendo dispensados, promove um clima instável de insegurança que passa a envolver todos os que continuam ligados à empresa.

Esses profissionais merecem nosso respeito e solidariedade num momento tão difícil que o mundo passa. Muitos enfrentaram o risco da contaminação do novo coronavírus para levar a notícia até o leitor, espectador e ouvinte. Seguiram com suas funções num sistema de home office sem o apoio devido da empresa. E agora, recebem como resultados a demissão de forma injusta num momento como esse. O Sinjope e a FENAJ se colocam a disposição de todos para oferecer o suporte jurídico necessário aos demitidos.

Recife, 14 de dezembro de 2020

SINJOPE

FENAJ