Liberdade de expressão é ameaçada na Argentina

1997

A Mesa Nacional de Trabajadores de Prensa (entidade de defesa dos trabalhadores da imprensa na Argentina) denuncia a existência de censura, ameaças, restrições ao trabalho jornalístico, ataques físicos e detenções policiais sofridas por jornalistas que fazem a cobertura de conflitos sociais, como o desaparecimento forçado de Santiago Maldonado durante a repressão a uma manifestação do povo mapuche, no sul daquele país.

O jornalista Dante Lobo, do canal 4 de Esquel, por exemplo, foi censurado e tirado do ar nos últimos dias. Lobo e sua equipe realizaram a cobertura de protestos dos mapuche, ocorridos em 1 de agosto. Ele também fez uma entrevista relevante com um dos chefes da Gendarmería (Força de Segurança da Argentina), o comandante maior Diego Conrado Hector Balari, no qual afirmou que a entrada na comunidade mapuche tinha sido realizada seguindo expressas instruções do Ministério da Segurança Nacional.

Ainda, os trabalhadores da imprensa da FM Alas, da cidade de El Bolsón, receberam ameaças diretas pelo tipo de cobertura que estão fazendo do caso. “Eles estão puxando demais a corda. Depois vão chorar na  Plaza de Mayo. Eles estão avisados​​”,  foi uma mensagem recebida pelo celular da emissora, quando informavam um incidente relacionado ao fato. “Faz parte de uma cadeia de intimidação que já recebemos”, disse Esteban Santamaría, um dos membros do rádio.

Ataques e detenções de jornalistas

Segundo a Mesa Nacional de Trabajadores de Prensa, os trabalhadores da imprensa argentinos vêm testemunhando o aumento nas agressões físicas e prisões por diferentes forças de segurança, durante a cobertura dos conflitos sociais. No contexto da repressão realizada pela polícia da cidade de Buenos Aires, em 1 de setembro, no final da marcha  pela aparição de Santiago Maldonado, ocorreu um grande número de prisões arbitrárias. Entre os detidos estavam seis jornalistas que cobriam os fatos e foram arbitrariamente “caçados” pela polícia. Eles foram mantidos incomunicáveis, detidos em condições precárias, sofrendo violência psicológica e maus tratos inadmissíveis. Tudo por estarem registrando as ações dos supostos servidores da lei.

Um dos objetivos das agressões e detenções foi infundir medo entre os jornalistas para evitar os registros da violência policial, como mostra a ênfase nos ataques a fotógrafos e cinegrafistas. Isso foi claramente visto nos eventos de 1 de setembro, na cidade de Buenos Aires. Mais informações aqui.

Com informações da Mesa Nacional de Trabajadores de Prensa/Federacion Argentina de Trabajadores de Prensa