Metade dos jornalistas brasileiros apresenta sintomas de depressão, alerta FENAJ

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Pesquisa inédita realizada pela Fundacentro, em parceria com a FENAJ, revela ainda a alta incidência de ansiedade (35,8%), estresse (47,8%) e assédio moral (37%) entre jornalistas no Brasil

Um estudo inédito sobre as condições de trabalho e a saúde mental dos jornalistas brasileiros revela um cenário preocupante de adoecimento psíquico, sobrecarga e violência no exercício da profissão. A pesquisa, realizada com 257 profissionais de todo o país, aponta que mais da metade dos jornalistas apresenta sintomas de depressão (50,2%) e quase metade convive com estresse (47,8%) e insônia (47,9%).

Os dados também mostram que 35,8% dos profissionais relatam sintomas de ansiedade, sendo que uma parcela significativa apresenta níveis severos ou extremamente severos.

Além do adoecimento mental, o levantamento evidencia a presença marcante de violência no ambiente de trabalho. Entre os entrevistados, de 26,1% a 37% afirmam ter sofrido assédio moral, a depender do critério utilizado, enquanto 30,4% relatam ter sido vítimas de cyberbullying.

Baixo apoio no ambiente profissional

O estudo também aponta fatores estruturais que ajudam a explicar esse cenário. Cerca de 28% dos jornalistas estão em situação de “alto desgaste” — caracterizada por alta demanda e baixo controle sobre o trabalho — e 61,1% percebem baixo apoio social no ambiente profissional.

Outro dado relevante diz respeito à capacidade de trabalho: mais da metade dos profissionais (51,8%) apresenta capacidade moderada, enquanto 33,1% já têm baixa capacidade para o trabalho, indicando impacto direto das condições laborais na saúde e no desempenho da categoria.

A pesquisa revela ainda que 21,5% dos jornalistas apresentam consumo de álcool em níveis de risco ou potencial dependência, o que pode estar associado ao estresse ocupacional e às condições adversas enfrentadas na rotina profissional.

Coordenado pelo secretário-adjunto de Saúde e Segurança da FENAJ, Norian Segatto, o estudo integra os esforços da entidade para compreender, com base em evidências, os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a categoria.

Para a presidenta da FENAJ, Samira de Castro, os resultados reforçam a urgência de políticas voltadas à proteção da saúde mental dos jornalistas e à melhoria das condições de trabalho. “O cenário exige medidas concretas por parte das empresas de comunicação, além do fortalecimento da negociação coletiva e da implementação de políticas de prevenção aos riscos psicossociais”, completa.

A pesquisa também ganha relevância no contexto da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. “Os dados fornecem subsídios importantes para a inclusão efetiva dos riscos psicossociais — como assédio, sobrecarga e pressão constante — nas políticas de saúde e segurança do trabalho”, afirma Norian Segatto.

Sobre a pesquisa

O estudo “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil” foi realizado entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, por meio de questionário online, com participação de jornalistas de diversas regiões do país. A amostra foi composta majoritariamente por profissionais com ampla experiência na área, com média de 18,6 anos de atuação.

Cristiane Oliveira Reimebrg, analista em Ciência e Tecnologia e jornalista da Fundacentro, acrescenta que a segunda fase da pesquisa, que constará de uma análise qualitativa dos dados sobre saúde mental, contará com entrevistas em profundidade.

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