Mulheres jornalistas também sofrem discriminação de gênero

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Esta semana, os mais diversos veí­culos de comunicação vão homenagear as mulheres com reportagens sobre suas conquistas e sobre os problemas que ainda enfrentam. É o que tem ocorrido no Brasil e no mundo por ocasião do Dia Internacional da Mulher. E não podia ser diferente: 8 de março continua sendo um dia de comemoração, mas também um dia de luta contra a discriminação de gênero, ainda presente em praticamente todas as sociedades.
A FENAJ igualmente parabeniza as mulheres e em especial, as jornalistas, pelos importantes passos dados na direção de uma sociedade na qual sejam de fato respeitadas, sem qualquer tipo de discriminação. Ao mesmo tempo, chama as mulheres jornalistas – e também os homens – para a importante tarefa de fazer com que a discussão de gênero seja permanente, tanto na produção jornalí­stica quanto no movimento sindical.
Homens e mulheres dividem o mercado de trabalho no jornalismo em todo o mundo. São cerca de 300 mil jornalistas do sexo masculino e 300 mil do sexo feminino, segundo estimativa da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). No Brasil, apesar de não haver dados precisos, as mulheres ocupam cada vez mais espaço nas redações e dão mostras de que são igualmente competentes para as mais diversas tarefas do jornalismo. A realidade, entretanto, mais do que comemorações, impõe a reflexão e a luta.
A mulher trabalhadora, inclusive a jornalista, enfrenta os problemas que atingem a todos os trabalhadores e além destes, problemas especí­ficos da discriminação de gênero. As mulheres cumprem as mesmas tarefas com a mesma competência que os homens e ganham menos; sofrem com o assédio moral e sexual e ainda, são preteridas nas disputas por uma vaga porque ficam grávidas ou são mais comprometidas com a educação dos filhos. E poucas conseguem chegar a postos de comando.
No jornalismo brasileiro não há grandes diferenças salariais entre os sexos (realidade de muitos paí­ses da América Latina), mas os postos de comando continuam majoritariamente nas mãos dos homens. Casos de assédio moral e sexual são constantes e as mulheres jornalistas não conseguem nem mesmo denunciá-los, porque sabem que sua denúncia muito provavelmente será ignorada e que as conseqüências virão.
A FENAJ tem procurado dar respostas a esses problemas com a inclusão da discussão de gênero em sua agenda permanente. Realizamos, em parceria com a FIJ, duas conferências latino-americanas de mulheres jornalistas para fortalecer o debate nacional e, além disso, contribuir com a reflexão latino-americana. Também incentivamos os sindicatos filiados a promoverem a discussão de gênero, como a única forma de superar a discriminação ainda existente. A tarefa não é pequena nem fácil, mas com certeza é possí­vel.

Diretoria da FENAJ