Nota de repúdio ao desmonte do Diario de Pernambuco

Em apenas um dia, o primeiro de outubro, a empresa desligou 26 trabalhadores: dois jornalistas e 24 gráficos. Com a canetada, a empresa deu fim a uma das mais importantes gráficas do estado.

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vêm a público manifestar irrestrita solidariedade aos jornalistas e demais trabalhadores demitidos pela diretoria do Diario de Pernambuco (DP). Em apenas um dia, o primeiro de outubro, desligou 26 trabalhadores: dois jornalistas e 24 gráficos. Com a canetada, a empresa deu fim a uma das mais importantes gráficas do estado.

Ao mesmo tempo, o Sinjope e a Fenaj mostram-se preocupados com a decisão da empresa que, sob o argumento de redução de custos, impôs medidas arbitrárias de demitir, em plena vigência da estabilidade da Medida Provisória 936, jornalistas profissionais talentosos e com larga experiência no mercado de trabalho.

Por sua vez, outros profissionais não suportaram os constantes atrasos de salários e pediram desligamento da empresa. Três deixaram o Diario de Pernambuco desta forma desde meados de setembro e outros estão em processo de negociação para o desligamento.

Em virtude da incompetência administrativa e financeira de seus atuais gestores, bem como o acúmulo de decisões atabalhoadas e desrespeitosas em relação aos trabalhadores de gestões anteriores, o DP não paga de imediato os salários do mês trabalhado das pessoas desligadas, bem como, férias, décimo-terceiro salário e outros direitos trabalhistas, como o recolhimento do FGTS e a multa dos 40%. Quase tudo tem que ser buscado na Justiça pelos demitidos.

Sabemos, por experiência, que demissões resultam sempre na sobrecarga de trabalho dos que ficam na empresa, geram tensão e mais estresse, além da perda de qualidade de vida, seja no âmbito profissional ou familiar, afetando severamente a saúde dos profissionais.

O Sinjope e a Fenaj enfatizam que os jornalistas não podem pagar pelas crises financeiras ou administrativas da empresa que se acumularam nos últimos anos, uma vez que a solução das dificuldades econômicas não passa por demissões injustificáveis e sim pela valorização profissional, através de salários justos e condições de trabalho adequadas.

Reivindicamos que o diálogo historicamente construído pelo Sinjope seja mantido, que os profissionais sejam respeitados e que não haja mais fechamento de postos de trabalho.

Ao mesmo tempo, o Sinjope e a Fenaj estão atentos a qualquer tentativa de retirada de direitos trabalhistas conquistados ao longo das campanhas salariais e alertas para o cumprimento das Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs) celebradas na última campanha salarial. O Sinjope coloca a sua assessoria jurídica à disposição para esclarecimento de dúvidas e assistência aos demitidos.

Recife, 02 de outubro de 2020
A DIRETORIA