A Comissão de Mulheres da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidade que se mantém comprometida com o respeito aos direitos humanos, manifesta veemente repúdio às declarações do radialista Donizete Garcia, da Rádio Sir FM de São Joaquim da Barra (SP), sobre o crime cometido pelo secretário Thales Machado, em Itumbiara (GO), que matou os dois filhos, antes de praticar o suicídio.
Ao afirmar que a agressão “deveria ter sido, no máximo, contra a esposa e não contra as crianças”, o comunicador não apenas relativiza um ato de extrema violência, como também naturaliza a agressão contra a mulher, sugerindo que haveria uma vítima “aceitável” para um crime brutal.
Tal posicionamento é inaceitável. Em um país marcado por elevados índices de violência doméstica e feminicídio (em 2025, por exemplo, 1.470 mulheres foram mortas de forma violenta, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública), declarações dessa natureza reforçam uma cultura de ódio, desumanização e banalização da violência contra mulheres e crianças. Não existe crime “menos grave” quando se trata de tirar a vida de alguém. Nenhuma violência pode ser tolerada, justificada ou hierarquizada.
Profissionais da comunicação têm responsabilidade social e ética diante de seus públicos. Suas palavras têm alcance, impacto e potencial de influenciar percepções e comportamentos. Espera-se, portanto, compromisso com os direitos humanos, com a dignidade das vítimas e com o respeito à vida.
A FENAJ reafirma que nenhuma pessoa deveria ter sido morta. A violência não pode ser relativizada sob nenhuma circunstância. Por isso, exigimos retratação pública e reforçamos a necessidade de um debate responsável, ético e comprometido com a proteção da vida e com o enfrentamento de todas as formas de violência.
Brasília, 19 de fevereiro de 2026
Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ





