No dia 22 de fevereiro, novo confronto entre manifestantes e policiais, desta vez durante o protesto “Não vai ter Copa”, em São Paulo, resultou em novas agressões contra profissionais de imprensa. Desde junho de 2013 já são mais de 100 os casos de agressões a jornalistas na cobertura de manifestações em todo o país.
A assessoria de imprensa do Comando da PM entrou em contato com o SJSP, no dia 21 de fevereiro, para informar que iria distribuir coletes de identificação aos jornalistas. O presidente do SJSP, José Augusto Camargo (Guto), disse que a preocupação do Comando era louvável, mas que o ideal seria que a discussão de segurança fosse realizada entre o sindicato, trabalhadores e empresas. Guto solicitou ao Comando da PM que nos próximos dias seja realizada uma reunião emergencial para definir um plano de ação que proteja os jornalistas.
No mesmo dia pela manhã, o SJSP acompanhou entrega do documento elaborado pelos jornalistas da Agência Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ao Superintendente Regional de Operações de São Paulo, Marco Antonio Coelho Filho, que se recusaram a cobrir a manifestação sem kits de segurança como capacete, colete a prova de bala e máscaras contra gás lacrimogêneo. O SJSP já enviou ofício as empresas pedindo abertura de negociação.
No dia 24 de fevereiro o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo denunciou as agressões contra o repórter fotográfico Bruno Santos, do Terra, que foi atingido na perna durante confronto entre manifestantes e policiais militares. Além dele, os repórteres dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, Sérgio Roxo e Reynaldo Turollo, Paulo Pisa, do G1, e mais outros dois fotógrafos foram detidos pela Polícia Militar (PM).
Posteriormente, cinco repórteres relataram ter sofrido agressões. Mário Bentes (Jornal GGN) foi atingido por estilhaços de bomba de efeito moral; Nelson Antoine (Foto Arena) e Adriano Conter (VejaSP) foram agredidos nas costas com golpes de cassetete. Antoine teve ainda uma das lentes de sua câmera quebrada. Diógenes Muniz (VejaSP) foi ferido na mão por um golpe de cassetete enquanto filmava a detenção de um manifestante. Aloísio Maurício (Brazil Photo Press) foi agredido com uma voadora e jogado ao chão por policiais e detido temporariamente. Todos estavam identificados como profissionais da imprensa a serviço.
Em plenária realizada no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo nesta sexta-feira (28), profissionais deliberaram que a identificação prévia dos jornalistas para atuar em manifestações públicas, fornecida pelos órgãos de segurança, não é aceitável, pois fere o direito de livre exercício profissional e de liberdade de imprensa. Oficialmente, a única identificação aceitável é o registro profissional (MTB), o que não se confunde com o direito de livre expressão e de registrar individualmente os fatos, prerrogativa de todo cidadão. No entanto, em zonas de conflito, o jornalista pode usar equipamento de proteção com identificação. O entendimento é que é obrigação das empresas de comunicação fornecerem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Sindicato de MG repudia agressão a repórter cinematográfico
O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais repudiou a agressão contra o repórter cinematográfico Marcelo Muriggi, da TV Alterosa, ocorrida na segunda-feira (24/2), na cidade de Uberaba, e cobrou do Poder Público e das empresas de comunicação, ações efetivas para que os jornalistas possam exercer seu trabalho em segurança.
Muriggi utilizou o celular para gravar imagens do resgate de um policial baleado durante uma troca de tiros, no Bairro Amoroso Costa em Uberaba, e foi cercado por policiais que impediram a gravação. Mesmo se identificando, Muriggi foi empurrado. Umvídeo mostra a discussão com um policial e as agressões sofridas pelo cinegrafista.
PM agride repórter cinematográfico no Amazonas
O Sindicato dos Jornalistas do Amazonas repudiou a agressão covarde praticada no dia 27 de fevereiro pelo tenente Carlos Eduardo Esteves, da Polícia Militar do Amazonas contra o repórter cinematográfico Jackson Rodrigues, da TV Bandeirantes. Segundo a nota oficial, além da agressão, o repórter foi preso arbitrariamente e levado em viatura policial até o 1º Distrito Interativo de Polícia – DIP. A entidade solicitou à Corregedoria da Polícia Militar a apuração dos fatos, punição do agressor, e encaminhou a denúncia para a FENAJ e para a Federação Internacional dos Jornalistas.
Ameaças e tentativa de intimidação em SC
No dia 25 de fevereiro equipes da imprensa catarinense foram alvo de ameaças e tentativa de intimidação. Profissionais do jornal Notícias do Dia, da TVCom e da RICTV foram atacados no Morro do Horácio, em Florianópolis, com pedras e tiros por criminosos que não querem a presença da imprensa no local. Um dos veículos teve o vidro traseiro quebrado, mas nenhum dos profissionais – que transitavam a caminho das redações do jornal e das TVs – ficou ferido. O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina cobrou que as autoridades públicas assegurem o livre trânsito dos profissionais no exercício do Jornalismo e de todos os cidadãos e a necessidade de as empresas jornalísticas garantirem a segurança e a própria vida de seus empregados em coberturas de risco.
Latrocínio
O jornalista Hélton Eduarti Souza, de 28 anos, foi encontrado morto no interior de um galpão em construção no terreno do Recinto de Exposições na vicinal Antônio Pimentel, entrada de Valentim Gentil (SP), no dia 27 de fevereiro. Ainda não há suspeitos pela morte. Souza estava com a própria camiseta dentro da boca e enrolada no pescoço, o que aponta que ele morreu por asfixia. A polícia trabalha com a hipótese de latrocínio, uma vez que o automóvel de Helton foi encontrado próximo de onde o corpo foi localizado. Foram levadas a carteira contendo documentos da vítima, o telefone celular, notebook, máquina fotográfica digital e o aparelho de som do automóvel.






