Repórter é agredido por PMs em Santos. Sindicato cobra um basta na violência contra jornalistas

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violencia_sp_3_internaPoliciais militares acusados de agressão ao repórter Bruno Cassucci de Almeida, do Jornal Lance!, no dia 30 de novembro, após o jogo entre Santos e Botafogo, na Vila Belmiro, poderão responder por abuso de autoridade. O profissional cobria um confronto entre torcedores, quando foi agredido por agentes da PM. Em nota emitida no dia 4 de dezembro, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo cobrou do governador do estado rigorosa investigação e punição dos responsáveis por esta e outras agressões contra profissionais de imprensa.

Em reunião no dia 2 de dezembro com o diretor regional de Santos, Baixada Santista e Vale do Ribeira, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), Carlos Ratton, o coronel PM Ricardo Ferreira de Jesus, comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), disse que vai se empenhar pessoalmente na questão, que ele garante ser incompatível com as normas de conduta da Polícia Militar.

O coronel se colocou à disposição do jornalista para ouvi-lo e registrar suas declarações ao inquérito policial militar (IPM), que foi aberto para apurar os fatos envolvendo o confronto entre as torcidas e a atuação dos policiais. O ofício enviado pelo Sindicato narrando o fato e pedindo punição aos policiais também será incluído ao inquérito.

“Podemos fazer exame do corpo de delito, pedir o celular do Bruno para enviar a perícia, recuperar as imagens apagadas e, por fim, solicitar a escala de serviço dos policiais para um possível reconhecimento fotográfico e pessoal. O importante é que vamos apurar com rigor esse fato”, disse o comandante, que pretende concluir o inquérito em 40 dias.

O comandante alertou que caso sejam provados os excessos contra o jornalista, os policiais poderão responder administrativa, civil e penalmente por seus atos, que podem ser caracterizados como crime de abuso de autoridade. “A Polícia Militar não compactua com atitudes como as narradas pelo jornalista”, finalizou o coronel Ricardo de Jesus.

O diretor do Sindicato aproveitou a reunião para reforçar outras denúncias de abusos de policiais contra jornalistas na região, como a que teve como vítima um assessor de Imprensa da Prefeitura de Guarujá, destratado por uma policial após ser confundido com um marginal, mesmo se identificando e sem ter qualquer semelhança com o bandido. O episódio também foi acompanhado pessoalmente pela entidade de classe.

O caso de Bruno
Após o jogo, o correspondente do Lance! estava registrando um confronto entre torcedores, com intervenção da Polícia Militar, quando foi abordado por uma policial que o mandou abandonar o trabalho com as seguintes palavras: “vaza. Dá linha, curioso”.

Depois, sob a mira de um revólver, Bruno recebeu uma revista agressiva e, na sequência, os policiais pediram para que ele abrisse a mochila. Após tomar seu celular, os policiais apagaram todas as imagens obtidas pelo jornalista.

Ainda não satisfeitos, os policiais mandaram Bruno não olhar para trás e, quando o jornalista olhou para o celular, foi agredido no rosto. Um oficial disse que ele estava ali para ‘defender torcedores’ e que ‘a mídia só mostra quando a polícia bate nesses’ (torcedores).

Momentos depois da agressão, um policial se colocou entre o jornalista e a parede, pegou uma bomba de efeito moral, puxou a calça de Bruno e colocou o artefato dentro dela: ‘você não é macho? Quero ver ser macho agora’, disse o PM. A mesma policial que o havia abordado no primeiro momento ainda disse: ‘quer levar para casa? Tenho várias outras, pode levar’.

Bruno Cassucci registrou um boletim de ocorrência e informou que iria ao Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito.

Basta de violência
Em nota emitida no dia 4 de dezembro o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo exigiu que o governador Geraldo Alckmin dê um basta na violência da PM contra jornalistas. em documento enviado ao governo do estado, a entidade cobrou rigorosa investigação e punição dos agentes envolvidos nesta agressão inclusive com a exoneração, a bem do serviço público, dos envolvidos neste vergonhoso episódio. “Esperamos que este pleito será plenamente encaminhado pelas autoridades, a justiça será estabelecida e a liberdade de imprensa garantida pois, se o poder público tenta impedir por meios violentos a livre divulgação da informação, pratica censura como nos piores momentos da ditadura”, diz o documento.