Repressão policial a grevistas no Paraná fere mais de 200

421

O Cetro Cívico de Curitiba virou uma praça de guerra na quarta-feira (29/04). A repressão da Polícia Militar ao protesto dos professores em greve em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) resultou em centenas de feridos e prisões. A FENAJ condenou a agressão e cobra do governo do estado apuração das responsabilidades e mais diálogo com os trabalhadores.

Os professores da rede estadual de ensino estão em greve por reajuste salarial de 13,01% e contra o projeto do governo do estado que muda as regras de pagamentos do fundo de previdência estadual, a Paraná Previdência. Em sessão extraordinária no dia 29, a ALEP aprovou – por 30 votos a favor e 21 contra – a proposta que segue agora para sanção do governador Beto Richa (PSDB).

Dados da Prefeitura de Curitiba apontam que no confronto entre policiais e grevistas 213 pessoas foram feridas e levadas para Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) e para o Hospital do Trabalhador, 8 delas em estado grave, das quais 3 com traumatismo craniano. Imagens do conflito mostram policiais chutando grevistas já rendidos e sentados no chão.

A agressão desmedida resultou em repressão também à cobertura da imprensa. Um pitbull da Polícia Militar mordeu o repórter cinematográfico Luiz Carlos de Jesus, da TV Bandeirantes, uma equipe de TV foi afastada com jatos de água quando cobria o conflito, o repórter cinematográfico Rafael Passos, da CATVE, e dois repórteres fotográficos, Henri Milleo da Gazeta do Povo e o freelancer André Rodrigues, foram atingidos por tiros de balas de borracha.

O Sindicato dos Jornalistas do Paraná, a Intercom e o FNPJrepudiaram a agressão. “Também repudiamos esta agressão a trabalhadores e à liberdade de imprensa. O governador Beto Richa é o chefe maior da Polícia Militar do Paraná e não pode dar guarida a este atentado à segurança pública. Mas infelizmente, por suas declarações à imprensa, preocupou-se mais em defender a repressão policial”, reagiu o presidente da FENAJ, Celso Schröder. “Nossa expectativa é de que o governador assuma a responsabilidade de dialogar com os grevistas, buscar atender às suas reivindicações, apurar e punir os responsáveis por essa agressão”, completou.

Ato marcará o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa
O Sindicato dos Jornalistas do Paraná (SindijorPR), ao lado de profissionais de vários veículos de comunicação, sindicatos, estudantes, e entidades da sociedade civil, prepara para o dia 3 de maio, Dia da Liberdade de Imprensa, às 10 horas, na Feira do Largo da Ordem, o ato público “Manifestação contra jornalistas perseguidos no Paraná”.

A manifestação pública dos profissionais será marcada pelo lançamento da campanha “BASTA de perseguição a jornalistas”. O objetivo é fazer uma representação simbólica da mordaça que a categoria vem sofrendo em várias regiões do estado e cobrar, principalmente do governo do Paraná, resposta à sociedade sobre a ameaça de morte sofrida pelo jornalista da RPC TV, James Alberti.

A manifestação pública em defesa dos jornalistas perseguidos chama a atenção da sociedade para a questão da liberdade de imprensa, tão atacada nas últimas semanas no estado do Paraná.

Com informações do Sindicato dos Jornalistas do Paraná