SINDJORS e FENAJ se solidarizam com jornalista Juremir Machado da Silva

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SINDJORS) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidades representativas dos jornalistas gaúchos e brasileiros, prestam irrestrita solidariedade ao colega Juremir Machado da Silva que, após ser impedido de fazer perguntas ao candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, acusou que foi vítima de censura e se desligou, ao vivo, do programa Bom Dia com Rogério Mendelski, da Rádio Guaíba, na manhã desta terça-feira (23).

O jornalista saiu do estúdio após Bolsonaro conceder uma entrevista “combinada” somente com Mendelski, enquanto os demais âncoras – Juremir, Jurandir Soares e Voltaire Porto – podiam apenas escutar a conversa em tom amistoso. “Eu achei humilhante e, por isso, estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui por 10 anos”, afirmou antes de se retirar.

O SINDJORS e a FENAJ repudiam toda forma de censura. Um candidato à presidência que não aceita ser questionado e escolhe seus interlocutores não serve para a democracia. A liberdade de imprensa e o trabalho ético do jornalista constituem um bem fundamental para a democracia e é obrigação de qualquer cidadão respeitar, especialmente aqueles que pretendem alçar ao cargo de chefe de uma nação. “Submeter jornalistas ao silêncio no estúdio é um exemplo claro de cerceamento ao exercício do jornalismo”, destaca o presidente do SINDJORS, Milton Simas Junior.

É inaceitável a censura imposta ao jornalismo da Rede Record, por decisão da mantenedora Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, que apoia explicitamente o candidato do PSL à presidência. Em São Paulo, jornalistas já denunciaram este tipo de coação ao Sindicato dos Jornalistas local, que divulgou nota conjunta com a FENAJ. Uma colega não resistiu às pressões na Rede e pediu demissão.

As entidades ressaltam que a postura da direção da Rede Record após Edir Macedo declarar apoio a Bolsonaro se repete no jornal Correio do Povo, cuja cobertura jornalística é visivelmente favorável ao candidato do PSL, em detrimento de seu adversário, Fernando Haddad (PT).  Isso está levando leitores a cancelar assinaturas e verbalizar contrariedade com a linha editorial de um veículo que ao longo de 124 anos marcou sua história alinhado à democracia.

É importante lembrar que, quando assumiu os veículos no Rio Grande do Sul, a direção da Record se comprometeu em respeitar a história e o jornalismo, não interferindo na linha editorial do jornal, da rádio e da televisão. “Denunciamos que o “dono” está impondo a sua voz autoritária nas redações do grupo, o que é inaceitável para qualquer jornalista. Rejeitamos a censura ao contraditório e a cassação do direito à informação prestada à sociedade”, diz Simas.