Sinjope e FENAJ pedem urgente mediação do MPT sobre demissões

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) cobram o reivindicado contato direto com os responsáveis pelo Canadá Investimentos, proprietário do Grupo Opinião de Comunicação (GOC) e da Hapvida. Diretores das duas entidades, junto com diretores do Sindicato dos Gráficos de Pernambuco (Sindgraf-PE), participaram de uma reunião com representantes do GOC na quinta-feira à tarde, quando receberam a informação de que a onda de demissões não terminou e as vagas abertas não serão reabertas.

Sinjope e Fenaj questionaram a forma abrupta e estabanada como em apenas 24 horas foram demitidos profissionais comprometidos com as empresas representadas pelo Diario de Pernambuco, patrimônios da comunicação de Pernambuco, num caso escandaloso que ganha dimensão nacional: não param de chegar mensagens e são inúmeros os telefonemas de várias regiões do País. As demissões comprometem a credibilidade dos veículos controlados, incluindo a TV Clube/Record, as rádios Clube/Globo AM, a Clube FM e, na Internet, o portal Pernambuco.com, o Vrum, o Admite-se, o Lugarcerto e o diariodepernambuco.com.br.

Dirigentes do Sinjope e da Fenaj não conseguiram, ainda, tratar do desmonte da comunicação de Pernambuco, já que entendem que os que decidiram pelas demissões em massa precisam mostrar a cara para a sociedade pernambucana. Se romperam promessa feita ao corpo funcional das empresas, de que não ocorreriam as demissões em massa, os responsáveis pela decisão precisam explicar o que será feito para assegurar as atividades das empresas.

Nada disso foi informado pelos representantes do GOC que se reuniram com dirigentes do Sinjope e da Fenaj e do Sindgraf-PE. Muito pelo contrário. Além de ressaltar que o ciclo de demissões ainda não foi encerrado, não ofereceram respostas aos problemas gerados pela evidente ausência de planejamento e de critérios nas demissões. Editorias ficaram sem chefia e profissionais na iminência de serem induzidos a extrapolar jornada de trabalho, única forma de garantir o fechamento das edições impressas e publicações da Internet.

Se o AquiPE e o Diario de Pernambuco chegaram às mãos de assinantes e leitoras(es), por exemplo, é unicamente graças ao compromisso dos profissionais que permaneceram trabalhando. Vale ressaltar casos como o de repórter que cumpriu jornada diurna e precisou retornar à noite para o fechamento da edição. Isso, sem receber a devida remuneração adicional. Hoje, a situação não foi diferente e ainda há agravantes: escalas de trabalho para o final de semana indicavam que jornadas extrapolariam dez horas! Três a mais do que a Lei estabelece como limite!

É preciso dizer que esse tipo de problema foi antecipado na reunião com representantes do GOC, que se limitaram a solicitar Sinjope e Fenaj enviassem documento informando as consequências das demissões para que sejam “resolvidos ou tenham resposta”. O documento será enviado na próxima segunda-feira, 30/03.

Sinjope e Fenaj entendem que o preço para garantir a produção nos veículos atingidos é sobrecarga para cada profissional que permanece trabalhando, envolvendo o desrespeito à Legislação da categoria Jornalistas e à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o que é inadmissível.

Exatamente por isso, mantêm a reivindicação para que os responsáveis pela Canadá Investimentos e Hapvida se posicionem publicamente sobre o desmonte das empresas que são parte do patrimônio da comunicação de Pernambuco.

Como até agora essas pessoas permanecem em silêncio e invisíveis, Sinjope e Fenaj aguardam resposta do Ministério Público do Trabalho (MPT) para mediação que objetive garantir direitos de cada profissional, preservando a jornada máxima legal de 7h/dia de trabalho, com duas horas extras/dia com adicional de 100%. Com isso, uma das preocupações é impedir que estudantes de Jornalismo venham a ocupar vagas de profissionais demitidos.

Sinjope e Fenaj se mantêm ao lado de cada profissional demitida(o) para prestar toda assistência necessária e lutando para conseguir a reposição das vagas.

Diretorias do Sinjope e da FENAJ

Fomte: Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, em 27/03/2015