Diretora do Sindicato dos Jornalistas de SP cobra instalação da Comissão da Verdade

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“Graças a Deus eu estou viva, mas muitos não estão e este pedido de desculpas do Estado é extensivo a todas as mulheres que lutaram”, declarou a jornalista Rose Nogueira, diretora de Comunicação e Cultura do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, na cerimônia realizada na tarde desta terça-feira (dia 15), em Brasília, pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça como atividade referente ao Dia Internacional da Mulher.

Rose, juntamente com outras presas políticas, foram homenageadas pela Comissão de Anistia e receberam portarias de anistia por terem sido perseguidas politicamente, em ato de reconhecimento público. Ela esteve presa no presídio Tiradentes, em São Paulo, durante o período militar, juntamente com a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Muito emocionada, Rose Nogueira procurou explicar o misto de alegria, reconhecimento e tristeza que tomou conta dela ao receber a cópia da portaria em que o Estado brasileiro reconhece sua condição de vítima da perseguição e da violência dos órgãos repressores.

“Presa, eu fui conhecer meu filho quando ele tinha quase um ano. Fui impedida de amamentá-lo. Fui agredida e, por quase 50 dias, impedida de tomar banho. Por isso eu cheirava mal e, então, eles me batiam mais”, contou Rose, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) e atuando como jornalista quando foi presa pelo “esquadrão da morte” do DOPS, no dia 4 de novembro de 1969, em São Paulo.

“Até hoje, certos segmentos ainda têm um preconceito contra nós, mas eu estou pouco ligando, pois sou melhor que eles. Lutávamos contra o empobrecimento [em todos os sentidos] do país”, concluiu Rose Nogueira, cobrando a instalação da Comissão da Verdade para esclarecer as violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. Ela é ex-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, de São Paulo, onde exerce até hoje sua militância política.

Além de Rose, foram homenageadas Sônia Hipólito, Denize Crispim, Maria Thereza Goulart, Rita Sipahi e Damaris Oliveira Lucena, também perseguidas pela ditadura militar.

Presente na homenagem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o país tem o dever não só de tornar públicos os erros cometidos no passado por agentes a serviço do Estado, como também de reparar as vítimas destes mesmos erros.

Ao comentar o trabalho desenvolvido pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e defender a criação da chamada Comissão Nacional da Verdade, Cardozo minimizou as críticas às indenizações pagas a anistiados, alegando que quem sofreu durante a ditadura tem o direito, “por lei e por justiça”, não só de ver seu sofrimento reconhecido, mas também de ser ressarcido financeiramente.

“Reparar significa anistiar, indenizar e praticar gestos pedagógicos e políticos que demonstrem que o Estado reconhece seus erros do passado e arca com os ônus no presente”, afirmou Cardozo, durante a homenagem da Comissão da Anistia às mulheres que lutaram contra a repressão política e, nas palavras de Cardozo, “contra o preconceito à mulher e à liberdade humana”. “Vivemos outros tempos, outro momento, mas é sempre importante lembrarmos do passado para não repetirmos os mesmos erros”.

Fonte: Sindicato dos Jornalistas de SP, com informações da Agência Brasil