FENAJ condena censura privada das plataformas digitais e silenciamento do jornalismo independente às vésperas do período eleitoral

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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em conjunto com seus sindicatos filiados, vem a público manifestar seu mais profundo repúdio e preocupação diante da crescente derrubada de perfis de redes sociais vinculados a contas da Meta e de sites de jornalismo independente e alternativo no Brasil. Tais medidas, frequentemente adotadas de forma arbitrária e sem transparência, configuram uma grave forma de censura privada das plataformas, comprometendo o direito à informação, a liberdade de imprensa e a pluralidade do debate público.

A situação é particularmente alarmante nas regiões Norte e Nordeste, onde veículos independentes desempenham papel essencial em territórios considerados desertos de notícias, sendo, muitas vezes, as poucas vozes a registrar conflitos socioambientais, violações de direitos humanos e pautas invisibilizadas pelos grandes meios de comunicação.

Na Amazônia, casos recentes como os do jornalista Adriano Wilkson, do portal Tapajós de Fato, de Santarém, e da jornalista Mary Tupiassu, do Amazônia no Ar, revelam um preocupante padrão de vulnerabilidade. As contas dos profissionais e do portal foram suspensas sem aviso prévio ou a partir de denúncias questionáveis envolvendo direitos autorais. Como relatado pelos próprios jornalistas, as plataformas — especialmente a Meta — parecem operar sob uma lógica perversa: primeiro derrubam, primeiro punem e só depois investigam. O resultado é o apagamento temporário de pautas essenciais para a compreensão da realidade amazônica.

No Nordeste, a Rede Cajueira, que há cinco anos fortalece o jornalismo nordestino e a produção de conteúdo regional, teve sua conta no Instagram desativada sem justificativa adequada, interrompendo um canal construído junto a milhares de leitores e leitoras.

A FENAJ alerta que esse fenômeno pode se intensificar com a proximidade do período eleitoral. Grupos organizados têm explorado as fragilidades dos algoritmos das big techs para derrubar perfis críticos através de campanhas massivas de denúncias falsas. A combinação entre mecanismos automatizados de moderação, fragilidades algorítmicas e campanhas coordenadas de denúncias falsas cria um ambiente favorável à censura privada das plataformas, permitindo o silenciamento de vozes críticas e independentes.

Somando-se a esse cenário preocupante, a FENAJ repudia a derrubada do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). O ataque a uma entidade com quase 90 anos de história e reconhecida trajetória de defesa da democracia, dos direitos trabalhistas e da liberdade de imprensa representa também um ataque à organização sindical e ao direito coletivo de comunicação.

Não aceitaremos que instrumentos fundamentais de informação, mobilização e denúncia sejam retirados do ar, dificultando o diálogo entre as entidades representativas e a categoria dos jornalistas.

Os canais de jornalismo independente, popular, sindical e alternativo são conquistas democráticas fundamentais para o fortalecimento do pluralismo informativo e para ampliar a voz de grupos historicamente invisibilizados pelos grandes conglomerados de comunicação.

A FENAJ exige transparência imediata das plataformas digitais em seus processos de moderação e cobra das autoridades públicas medidas efetivas para garantir a proteção da liberdade de imprensa e o direito à comunicação.

Brasília, 22 de junho de 2026.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
Sindicatos de Jornalistas do Brasil