FENAJ participa do lançamento do Guia de Comunicação sobre Feminicídios no DF

50

Na última quarta-feira, 24 de junho, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) marcaram presença no lançamento do “Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal”. O evento, intitulado “Comunicação que Protege”, ocorreu no Espaço Cultural Renato Russo e reuniu autoridades do sistema de Justiça, Segurança Pública, representantes da sociedade civil, jornalistas e estudantes de jornalismo.A primeira-secretária da FENAJ e do SJPDF, Renata Maffezoli, participou da abertura do evento e destacou a responsabilidade ética da categoria de jornalistas no enfrentamento à violência contra a mulher. Durante sua fala, Maffezoli enfatizou que o jornalismo desempenha um papel crucial na manutenção ou transformação das estruturas sociais.

“A gente entende a violência de gênero como o resultado da estrutura social em que nós vivemos. Ela é resultado de uma sociedade machista, patriarcal e misógina. E, infelizmente, o jornalismo muitas vezes contribui para que essa estrutura permaneça como é”, afirmou a dirigente.A jornalista ressaltou que a escolha das palavras não é um ato neutro, mas uma posição política perante a sociedade. “O jornalismo não é isento. Quando a gente escolhe falar que ‘uma mulher é morta’ e não que ‘um homem matou’, isso é uma forma de nos posicionar”, ponderou, reforçando que também é papel dos e das profissionais da imprensa a desconstrução de estereótipos de gênero e de opressões, conforme orientado pelo Código de Ética dos Jornalistas.

Comunicação como ferramenta de prevenção
O guia é fruto de um trabalho interinstitucional entre a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), o Tribunal de Justiça (TJDFT), o Ministério Público (MPDFT) e a Defensoria Pública (DPDF). O documento reúne 20 diretrizes para uma cobertura ética e humanizada, abordando temas como o uso correto da linguagem, a proteção de órfãos do feminicídio e a divulgação da rede de apoio.

A juíza Fabriziane Zapata, coordenadora da Mulher do TJDFT e uma das responsáveis técnicas pelo material, destacou que o feminicídio é o ápice de uma escalada de violência que emite sinais prévios. Para a magistrada, a imprensa é uma aliada fundamental na mudança de mentalidade da sociedade.
“O feminicídio continua acontecendo porque ele é cultural. Quem consegue transformar a cultura? A educação e, acreditamos, que a imprensa. A gente precisa mudar a cultura do machismo. Mulheres e homens devem ter o mesmo valor”, defendeu a juíza.

Fabriziane também pontuou que a comunicação responsável ajuda a ampliar a informação sobre a rede de proteção oferecida pelo poder público e a confiança das mulheres, em situação de violência, em buscar ajuda.

Selo de Comunicação Responsável
Além do guia, o evento apresentou o selo “Parceiro da Segurança – Comunicação Responsável”, que visa reconhecer veículos e profissionais que adotem práticas alinhadas aos direitos humanos e à prevenção da violência de gênero.

Para Renata Maffezoli, ferramentas como o guia lançado no DF oferecem subsídios essenciais para que jornalistas atuem de forma qualificada, mesmo diante de desafios como a precarização do trabalho nas redações. “Nós temos o dever de cumprir com o nosso papel social e pensar muito bem ao escolher as palavras e as imagens que vamos usar para reportar esses crimes”, concluiu a dirigente.

O Guia de Comunicação sobre Feminicídios está disponível para download no site oficial da Secretaria de Segurança Pública do DF e pode ser acessado também aqui.

Fotos: Dimmy Falcão