O Conselho de Comunicação Social (CCS) aprovou na segunda-feira (4) nota de repúdio à violência cometida contra jornalistas durante a greve dos caminhoneiros. Os conselheiros decidiram manifestar-se depois que a presidenta da FENAJ, Maria José Braga, representante da categoria dos jornalistas no Conselho, fez um relato dos casos de agressões ocorridos no mês de maio. Mais de uma dezena de profissionais foi agredida em pelo menos nove estados brasileiros.
Na nota, o Conselho de Comunicação afirma que a escalada de violência contra a imprensa precisa cessar e recomenda rigor do governo na aplicação das leis para garantir a liberdade de imprensa. Também recomenda às empresas e profissionais de comunicação objetividade e transparência na cobertura e faz apelo aos caminhoneiros para que repensem seus atos e passem a valorizar o trabalho dos profissionais da comunicação.
Confira a íntegra da nota:
Sem informação transparente não há democracia
No último movimento dos caminhoneiros, cuja greve paralisou as atividades de transporte em quase todo o país, os profissionais de comunicação e também empresas sofreram forte intimidação por parte de manifestantes, ferindo frontalmente os princípios constitucionais que garantem a liberdade plena de expressão e opinião.
Além do mais, nas redes sociais, por meio de declarações de manifestantes ou pelo expediente de notícias fraudulentas, foram despejados posts e comentários que atingiram o jornalismo como profissão e plataformas de comunicação, induzindo as pessoas a agressões verbais e físicas, precedentes perigosos para a democracia brasileira.
Segundo levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), apresentado na última reunião do Conselho de Comunicação Social (04/06/2018), mais de uma dezena de profissionais sofreram ameaças e agressões em pelo menos nove estados brasileiros durante o trabalho de cobertura da greve – Bahia, Ceará, Paraná, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Nesses estados, as agressões verbais e insultos aos jornalistas e radialistas foram recorrentes e alguns profissionais impedidos de trabalhar. Em vários estados, como ocorreu em Pernambuco, houve ameaças e imposição para destruição de imagens captadas por equipe de TV. No Paraná, manifestantes ameaçaram atirar de um viaduto um repórter e uma equipe de TV foi cercada por um grupo portando barras de ferro.
Por sua vez, em Santa Catarina jornalista foi intimidado e teve o seu celular derrubado por um tapa desferido por agressores. Igualmente grave, no interior de São Paulo repórter cinematográfico e técnico de áudio foram agredidos a pauladas. Provavelmente, muitos outros casos pelo interior do Brasil não chegaram ainda ao conhecimento das entidades profissionais que representam os jornalistas e radialistas.
Paralelamente, há também um registro grave de outra dimensão, que merece o repúdio do Conselho: jornalistas, no contexto do movimento, denunciaram que um jornal de Pernambuco praticou censura interna, distorcendo reportagens produzidas para dar um foco hostil aos caminhoneiros.
Nos últimos meses, em manifestações de vários tipos e origem, temos acompanhado a agressão contra os profissionais e até destruição de bens de empresas de comunicação, necessários ao exercício do jornalismo e à difusão de informações aos brasileiros. No tocante às agressões, elas alcançaram o seu ápice na chamada greve dos caminhoneiros.
Essa escalada contra a imprensa e contra a liberdade de imprensa precisa cessar. Aos organismos institucionais e ao governo, que ajam com o rigor da lei para garantir a livre produção de informação no país. Aos diversos segmentos de trabalhadores da sociedade – agora, em especial aos caminhoneiros e suas entidades -, que repensem os seus atos e passem a valorizar o trabalho da comunicação social, sem o qual as suas reivindicações podem se converter não em vitórias, mas em agressões ao nosso bem maior, a democracia. Quanto às empresas e profissionais, que sejam objetivos e transparentes em suas coberturas, pois é esse comportamento que dá credibilidade à comunicação social.
Cremos que as manifestações são livres, balizadas pelos nossos diplomas constitucionais e legais. Agredir a comunicação social – profissionais e empresas -, entretanto, é ato ditatorial e não pode contar com o apoio dos cidadãos.
Brasília, 4 de junho de 2018.






