Com contribuições das audiências, proposta de diretrizes é entregue ao MEC

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A FENAJ encaminhou, nesta segunda-feira (25/5), documento atualizado com suas propostas para a Comissão de Especialistas do Ministério da Educação (MEC) sobre as novas diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. A Federação solicitou que a Comissão organize um novo momento de debate com as entidades do campo do Jornalismo e com a sociedade antes de entregar sua proposta sistematizada ao MEC.

Esta é a terceira versão do documento, com acréscimos e reestruturação a partir de sugestões recolhidas em fóruns, debates, seminários sobre o tema, na participação da entidade no Grupo de Trabalho composto também por representantes do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ) e Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), além das audiências públicas promovidas pela Comissão de Especialistas. Segundo a diretora do Departamento de Educação da FENAJ, Valci Zuculoto, as propostas incorporadas ao documento obedeceram à adequação às posições e deliberações da categoria no movimento sindical dos jornalistas.

Valci explica que, como a entidade foi informada que o estágio também integrará a proposta da Comissão, além de reafirmar a posição geral da Federação defendendo-o como não obrigatório e acadêmico, a diretoria da FENAJ ainda encaminhou o“Programa Nacional de Projetos de Estágio Acadêmico em Jornalismo”. Este programa é a “proposta dos jornalistas”, aprovada no último Congresso Nacional da categoria, em 2008, em São Paulo, e está sendo ajustado com a proposta do FNPJ. Ela lembra que tal programa vem sendo aplicado desde 2000 em escolas de Jornalismo de vários Estados, em parceria com os Sindicatos de Jornalistas.

Além de defender a especificidade e a autonomia dos cursos de Jornalismo, já que o objetivo é a formação para o exercício da profissão de jornalista, a contribuição da FENAJ incorporou acréscimos e reestruturações em relação ao profissional multimídia – na perspectiva de formar jornalista, não comunicador ou multitarefeiro. Também integram a proposta da Federação questões como assessoria de imprensa, atendimento à comunicação (rede) pública, jornalismo comunitário e terceiro setor, jornalismo de imagem, direito autoral, questões raciais e de gênero, demandas locais e sobre a América Latina.

A proposta da FENAJ apresenta, também, o perfil do egresso do Curso de Jornalismo precisa ter, as competências e habilidades específicas para o Curso de Graduação em Jornalismo, seus conteúdos básicos e específicos. A FENAJ defende os Cursos de graduação em Jornalismo com duração de 4 anos e no mínimo 2.700 horas. Embora entenda que a duração máxima deve ficar a cargo de cada instituição, a entidade considera que a duração média ideal é de 3.200 horas.

A entidade também se posicionou claramente contrária à possibilidade de cursos de complementação para ingresso de graduados em outras profissões ao Jornalismo. “Consideramos ainda importante ressaltar que, para a qualificada formação do jornalista, não é possível que a diplomação se dê em cursos e/ou formatos que não incluam a totalidade das diretrizes para a graduação. Discordamos da possibilidade de oferecer diplomação em Jornalismo a graduados em outros cursos superiores por meio apenas de complementação de formação em tempo menor”, diz o documento.

Para a FENAJ, os processos de reconhecimento e avaliação dos Cursos de Jornalismo, bem como as autorizações para abertura de novos Cursos devem ser repensados, atualizados e transformados nas suas formulações, para se adequarem a estas novas diretrizes curriculares. No documento, a solicitação já feita anteriormente ao MEC de que não autorize abertura de Cursos de Jornalismo em todo o país até a efetiva aplicação das novas diretrizes curriculares e também de novo regramento para avaliação e reconhecimento é reafirmada. O documento pede, também, que as entidades representativas do segmento profissional (FENAJ e seus 31 Sindicatos filiados) sejam incluídas no processo de redefinição das regras de avaliação e reconhecimento de cursos.