Corpo de jornalista é encontrado carbonizado no México

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O corpo do jornalista Salvador Adame Pardo, que estava desaparecido desde que foi sequestrado em 18 de maio, na cidade de Nueva Italia, no Estado de Michoacán, no México, foi encontrado carbonizado, em 14 de junho, em um lugar conhecido como Barranca del Diablo, no município de Gabriel Zamora, no mesmo Estado. Testes de DNA revelaram a identidade do comunicador, segundo informações das autoridades competentes. Esse é o oitavo jornalista assassinado no México, só este ano, conforme dados da Federação Internacional de Jornalistas – FIJ.

Segundo a FIJ, o sequestro de Adame Pardo, que era jornalista e proprietário do Canal 4TV, do município de Múgica,  havia despertado grande preocupação pelo clima de violência que vivem os e as comunicadoras no México, ao ponto que várias pessoas do setor se manifestaram para reclamar que ele fosse encontrado com vida.

O procurador geral de Justiça de Michoacán, José Martín Godoy Castro, durante uma coletiva de imprensa, confirmou que o corpo de Adame Pardo foi encontrado e anunciou como possível autor intelectual do crime Feliciano Ledezma Ramírez. A informação teria sido dada por Ignacio Rentería Andrade e Daniel Rubio Ruiz (que teria um vínculo pessoal com Pardo), criminosos detidos que atribuíram o fato a um problema pessoal de Ledezma com o jornalista.

A FIJ, organização que representa 600 mil jornalistas em todo o mundo, juntamente com sua afiliada mexicana, o Sindicato Nacional de Redatores da Imprensa (SNRP), vem tentando visibilizar em várias ocasiões a onda de ataques que assola a imprensa mexicana, assim como o clima de censura e autocensura, e repudia os intoleráveis níveis de impunidade que chegam a 99,75% dos casos.

Anthony Bellanger, secretário da FIJ, declarou: “Diante da alarmante situação vivida pelos jornalistas mexicanos, a FIJ solicita novamente às autoridades a realizarem investigações eficientes, sem descartar a linha de investigação do trabalho jornalístico como possível causa do crime. Trata-se de um dos setores mais golpeados pela violência, em um país em que, este ano, foram registrados oito assassinatos de repórteres. Solicitamos ao governo do presidente Enrique Peña Nieto a fazer tudo que estiver a seu alcance para cumprir com o prometido, deter e esclarecer o que começa a ser um massacre da categoria dos jornalistas”.

Com informações da FIJ. Foto: Pedro Pardo/AFP/FIJ