Decisão da Justiça do Trabalho pode salvar Gazeta Mercantil

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A Justiça do Trabalho de São Paulo determinou, na semana passada, a penhora de ações e cotas societária da empresa Intelig Telecomunicações, de propriedade do empresário Nelson Tanure, para o pagamento da dívida trabalhista de R$ 200 milhões da Gazeta Mercantil. Esta decisão pode evitar o fim da publicação do jornal, previsto para a próxima semana e antecipado em comunicado reproduzido na capa da própria Gazeta, na última segunda-feira (25/5).

Tanure, dono da Companhia Brasileira Multimídia (CBM), responsável pela Gazeta, anunciou que a editora JB S.A. não seria mais a responsável pela publicação a partir do dia 1º de junho e, por isso, decidiu devolver o título a Luiz Fernando Levy, que, por sua vez, comunicou informalmente aos funcionários que não tem a intenção de receber o jornal de volta, quebrando o contrato de arrendamento por 60 anos. No jogo de empurra, o diário está ameaçado de fechar, deixando sem trabalho dezenas de jornalistas, gráficos e trabalhadores administrativos.

O Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da FENAJ, Guto Camargo, foi até o Rio de Janeiro, nesta terça-feira (27/5), para reunir-se com a direção CBM e tentar uma saída para a crise que ameaça os empregos de 51 jornalistas. Ele ouviu da diretoria da empresa que a decisão de fechamento da Gazeta está mantida. “O departamento jurídico do Sindicato já está tomando todas as medidas para garantir os direitos dos trabalhadores, mas iremos manter as negociações abertas até o final de uma solução que evite o fechamento do jornal e preserve os postos de trabalho”, informou o presidente do Sindicato. Guto tem nova reunião hoje (27/5) com a direção da Gazeta, em São Paulo.

Os advogados Carlos Frederico Müller e Wladimir Durães, que representam os dois principais credores da Gazeta Mercantil – a empresa Problem Solver e a Associação dos Funcionários Prestadores de serviço do jornal – dizem que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não pode autorizar a venda da operadora de telefonia de propriedade do empresário Tanure. “Por ordem da Justiça, as ações da Intelig não podem ser negociadas porque garantem o crédito dos funcionários”, asseguram. A ordem de penhora é da 26ª. Vara do Trabalho de São Paulo. A juíza Maria aparecida Vieira já comunicou a decisão à Intelig, Junta Comercial do Rio de Janeiro, Comissão de valores Mobiliários e Anatel.