Em ato pela liberdade de imprensa, Greenwald destaca que ameaças fortaleceram determinação em revelar conteúdo das mensagens

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Mais de mil pessoas se reuniram no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP em defesa da democracia e da liberdade de imprensa

“Todas as ameaças e todas as tentativas para nos intimidar e para nos ameaçar tiveram só um efeito: fortalecer nossa determinação e resolução para reportar esse arquivo até o final. E é exatamente o que nós vamos fazer, além de defender uma imprensa livre”, declarou Glenn Greenwald, cofundador do site The Intercept Brasil, durante ato em defesa da liberdade de imprensa, do jornalismo e da democracia, nesta segunda-feira, 9, em São Paulo.

Organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), juntamente com a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Instituto Vladimir Herzog, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e os centros acadêmicos XI de Agosto (Faculdade de Direito da USP), Lupe Cotrim (ECA-USP) e Vladimir Herzog (Cásper Líbero), o evento contou com a participação de mais de mil pessoas no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP.

Para afirmar a importância da atividade jornalística como um dos pilares da democracia, o ato reuniu jornalistas, juristas, estudantes, entidades democráticas e personalidades. Os participantes repudiaram os ataques à imprensa e aos jornalistas realizados pelas forças autoritárias e por autoridades.

Representando a Fenaj e o SJSP, Paulo Zocchi, destacou que os jornalistas do The Intercept Brasil se tornaram alvo preferencial do Governo Bolsonaro. “Bolsonaro ameaça diretamente o jornalista Glenn Greenwald e diz o seguinte: ‘Talvez pegue uma cana aqui no Brasil’, declara ele com a linguagem desqualificada que o caracteriza. Isso é inaceitável. Isso merece nosso profundo repúdio, nossa manifestação e esse ato aqui. E o que tanto incomoda Bolsonaro nesse caso? É o fato de que a reportagem evidencia as manipulações judiciais e o direcionamento político da Operação Lava Jato e, assim, trazem informações objetivas que questionam a própria legitimidade do seu mandato”, disse Zocchi.

No ato, Greenwald destacou que o governo tem as mesmas táticas de outros movimentos autoritários, ao usar o medo como forma de impedir que sejam desafiados ou questionados. O jornalista e advogado afirmou que o Brasil, país pelo qual se apaixonou há 14 anos, não é impulsionado pelo ódio, mas por energia, amor, empatia, conexão, liberdade e diversidade. E é isso, para ele, que prevalecerá.

As pessoas, segundo Greenwald, perguntam sempre como The Intercept tem tanta coragem de enfrentar os poderosos e o discurso de ódio, ao realizar o trabalho de divulgação das mensagens que denunciam e colocam em xeque a Operação Lava Jato. Em resposta, disse que ninguém tem coragem sozinho. “Qualquer pessoa que mostra coragem foi inspirado por outras pessoas que têm coragem. Isso foi uma coisa que eu aprendi e é uma das lições mais importantes da minha vida: coragem é contagioso”, reiterou.

Apesar de tudo, o jornalista mostrou-se otimista, e explicou a razão: “Um movimento como o do Bolsonaro, que segue impulsionando só ódio, vai se autodestruir. E a energia do amor, empatia, liberdade e diversidade vai prevalecer”. Greenwald assumiu um compromisso diante do público: “Não tem importância nenhuma o que esse governo faz contra a gente, não tem importância nenhuma que eles ameacem, nós vamos continuar publicando esse material até o final”. E avisou: “Eles podem matar um jornalista, prender outro e fazer um monte de coisas para outro, mas esse material vai ser revelado. Estamos totalmente juntos e nunca vamos deixar esse país regredir para uma ditadura de novo”. O jornalista do The Intercept Brasil foi ovacionado pelos presentes ao Salão Nobre.

Por Adriana Franco
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Fotos: Cadu Bazilevski