Entidades farão plebiscito sobre leilão da Vale

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Cresce no Brasil o movimento de contestação ao processo de privatizações realizado mais intensamente no período do governo FHC. Entidades sindicais e movimentos sociais reparam para a primeira semana de setembro um plebiscito pela anulação do leilão da Companhia Vale do Rio Doce. Divergem, porém, sobre o conteúdo da cédula a ser submetida ao voto popular.

Em 1997, o governo federal promoveu um leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora e exportadora de minério de ferro do mundo. Com um patrimônio avaliado em mais de R$ 100 bilhões, a companhia foi vendida por irrisórios R$ 3,3 bilhões. Tal processo é alvo de diversos processos judiciais.

Um amplo movimento vem buscando fazer com que o governo federal, o Congresso Nacional e o judiciário anulem o leilão, considerando que a Vale do Rio Doce tem papel estratégico no desenvolvimento do país e que a privatização da empresa foi fraudulenta. E para aumentar a pressão farão, de 1o a 7 de setembro, em todo o país, um processo de coleta de votos.

No movimento “A Vale é Nossa” estão envolvidos atores como o Movimento dos Sem Terra (MST), a Coordenação de Movimentos Sociais (CMS), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Intersindical, a Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), movimentos pastorais, entre outros.

Há um embate, no entanto, quanto ao conteúdo da cédula que será distribuída na consulta à população. Entidades como a CUT e a CMS defendem que a cédula contenha uma única pergunta após breve enunciado: “A Vale deve continuar nas mãos do Capital Privado?”. Outros setores do movimento, como a Intersindical e Conlutas defendem a inclusão de outras 3 perguntas relacionadas à privatização da Vale: a redução da tarifa da energia, o pagamento da dívida externa e a posição popular sobre a reforma da previdência.

Contudo, tal divergência não vem arrefecendo a força do movimento. A perspectiva é de que, a depender da opção de cada entidade ou movimento, as duas cédulas sejam utilizadas.

A entrega do resultado do plebiscito será feita aos poderes executivo, legislativo e judiciário. A data e o processo ainda não estão definidos, mas há um indicativo de que isto ocorra nos dias 22 a 25 de outubro, em Brasília, quando ocorrerá a II Assembléia Nacional Popular.