Entrevistas simuladas? É urgente regulamentar a IA no jornalismo!

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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) tomou conhecimento de um caso que parece uma piada pelo seu absurdo, mas que precisa ser tratado com absoluto rigor diante da gravidade de suas implicações para o exercício do jornalismo.

O site Giro 10, hospedado no Portal Terra, publicou a matéria “Fibras em excesso: especialistas alertam para efeitos colaterais de tendência das redes sociais”, acompanhada da informação de que o conteúdo foi produzido “com uso de Inteligência Artificial”. Ao longo do texto, a matéria informa que utiliza “entrevistas simuladas” com “especialistas imaginários” e “fictícios”. Entre os exemplos estão o “nutricionista clínico imaginário Dr. Rafael Martins” e a “gastroenterologista fictícia Dra. Helena Costa”.

Em outras palavras, a publicação reproduz declarações atribuídas a pessoas que simplesmente não existem. Trata-se de uma reportagem, apresentada ao público em um grande portal de notícias, sobre um tema relacionado à saúde, utilizando a linguagem e a estrutura próprias do jornalismo para conferir credibilidade a fontes inexistentes.

Infelizmente, esse não é um episódio isolado. Em 2024, a Editora Abril retirou do ar centenas de textos publicados no site Bebê, após a denúncia de que as matérias eram atribuídas a uma jornalista fictícia e continham trechos copiados de veículos concorrentes.

Para além da defesa dos empregos e dos direitos trabalhistas, ameaçados pela política de empresas que utilizam recursos de Inteligência Artificial para precarizar as condições de trabalho, a FENAJ entende que casos como esses evidenciam a urgência de estabelecer regras sobre responsabilidade editorial, transparência e limites éticos para a utilização de ferramentas capazes de gerar conteúdo a partir da coleta e do processamento de informações disponíveis na internet, sem qualquer responsabilidade com a veracidade das mesmas.

A ausência de qualquer tipo de regulamentação e a mera aceitação da IA como recurso válido para a prática jornalística conflitam diretamente com princípios básicos da profissão, como a credibilidade da informação, a checagem independente dos fatos e a responsabilidade social de divulgar informações úteis, confiáveis e verificáveis.

É urgente que a categoria participe desse debate e pressione as empresas e o Congresso Nacional para que a regulamentação da Inteligência Artificial se torne um tema central na defesa da credibilidade do jornalismo e do trabalho jornalístico.