Escritório regional da FIJ realiza seminário sobre segurança na perspectiva do gênero

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paraguai_internaA Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), em colaboração com a Fundação Friedrich Ebert, realizou nos dias 19 e 20 de maio, em Assunção, Paraguai, um seminário sobre a segurança dos jornalistas sob uma perspectiva de gênero no âmbito do projeto de três anos para a promoção da igualdade das ações nos sindicatos de jornalistas. A “Declaração de Assunção”, que sintetiza as deliberações do evento, repudiou o golpe orquestrado no Brasil com o afastamento da primeira mulher a presidir o país.

Participaram do evento representantes de entidades sindicais dos jornalistas da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Venezuela e Uruguai. No seminário, os participantes fizeram uma análise dos contextos históricos e culturais e do debate acadêmico sobre a violência contra as mulheres que atuam na imprensa na América Latina, apontando a necessidade de os sindicatos, como atores sociais, trabalharem pela erradicação da violência e riscos ocupacionais. Entre as ações, registrou-se a possibilidade de utilizar instrumentos internacionais de direitos humanos e o desenvolvimento de políticas públicas a partir de uma perspectiva de gênero como ferramentas de trabalho para a luta contra a violência.

Para a Federação Internacional dos Jornalistas, a conquista desses espaços para a discussão e análise de situações de violência com base no sexo e insegurança para trabalhar na América Latina e Caribe é essencial para avançar em estratégias comuns de ação e luta para erradicar a violência contra as mulheres jornalistas.

Na “Declaración de Asunción”, os participantes do Seminário posicionaram-se relativamente a diversas situações ocorridas em diversos países latinoamericanos. No caso brasileiro, denunciaram e repudiaram “el golpe orquestado en Brasil por los Poderes Legislativo y Judicial, con fuerte contribución de los medios privados, que apartó – sin ningún crimen cometido – a la presidenta Dilma Rousseff, primera mujer en gobernar Brasil”. Para os jornalistas que participaram do evento, “El nuevo gobierno interino representa a la elite brasilera; y el golpe tiene un fuerte componente sexista y premeditado, dado que la práctica de ofensas sufridas por la presidente, hasta en su misma intimidad como mujer, no se vio nunca en la historia del país”.