Governador de Santa Catarina desconhecia agressões da PM

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not045O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira desconhecia, até o dia 4 de março, as agressões sofridas pelo repórter fotográfico Cláudio Silva da Silva e pelo jornalista e professor universitário Nilson Lage. Ambos foram vítimas da truculência da Polícia Militar do estado na capital catarinense. A FENAJ recebeu centenas de manifestações de solidariedade ao professor, que é uma referência no ensino de Jornalismo no país. Juntamente com o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, a Federação reivindica apuração isenta dos fatos e punição aos agressores.

Estranhamente, ao ser questionado sobre a necessidade de uma investigação isenta sobre os dois casos de viol&ec_rc;ncia, durante solenidade de formatura da primeira turma de Jornalismo da Univest, em Lages (SC), onde também estavam presentes o presidente do SJSC, Rubens Lunge, e o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, o governador catarinense mostrou desconhecimento dos fatos. “Quem é Sarará? quem é Nilson Lage?”, questionou.

Saiba mais
Cláudio Silva da Silva, o “Sarará”, foi agredido no dia 16 de fevereiro, quando cobria uma manifestação popular sobre o transporte coletivo de Florianópolis. Além de agredir ativistas, integrantes da Polícia Militar arrancaram a máquina fotográfica do repórter-fotográfico, algemaram-no e o levaram para a Central de Polícia. No dia seguinte o profissional foi demitido do veículo onde trabalhava, o Diário Catarinense.

Protesto contra demissão
No dia 3 de março, mais de 50 pessoas protestaram contra a violência e a demissão de Sarará em frente ao jornal Diário Catarinense. A manifestação contou com a participação de jornalistas e do sindicato catarinense, dos diretores da FENAJ Sérgio Murillo de Andrade e Valci Zuculoto e de outras entidades como o Sindicato dos Bancários de Florianópolis, União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (UFECO), Sindicato dos Trabalhadores da UFSC, Sindicato dos Servidores do Judiciário Estadual, Movimento Passe Livre e o Diretório Acadêmico da Faculdade Estácio de Sá. Panfletos foram distribuídos à populares que passavam pelo local, relatando as agressões contra os jornalistas Cláudio Silva e Nilson Lage.

Já o professor Nilson Lage, de 69 anos, foi agredido no dia 18 de fevereiro. Fazendo tratamento para depressão, após sentir-se mal, ele estacionou seu carro e ficou desacordado. Momentos depois, foi hostilizado por policiais militares que o algemaram e levaram-no de camburão à delegacia. Ele sofreu lesões nos pulsos, ombro e rosto A divulgação da ocorrência provocou revolta e indignação no meio jornalístico brasileiro.

Repercussão nacional
A nota oficial emitida dia 23 de fevereiro pela FENAJ, FNPJ, SBPJor, Sindicatos dos Jornalistas de Santa Catarina e do Município do Rio, Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Acadêmico e Departamento de Jornalismo da UFSC recebeu rápida adesão de entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Associação Catarinense de Imprensa (ACI), Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (ABRAJI), Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI). Além destas, mais de uma centena de jornalistas, professores, cursos de Jornalismo e Comunicação e de profissionais de outras áreas manifestaram apoio a Nilson Lage. Matérias sobre tal agressão também foram publicadas na imprensa nacional.

No esforço de buscar rápida averiguação dos fatos, a ABI encaminhou correspondência diretamente ao governador Luiz Henrique. Cobrado a tomar providências, o secretário de Segurança de Santa Catarina, Ronaldo Benedet, determinou a abertura de sindicância para apurar o caso. No dia 24 de fevereiro o próprio ouvidor da Secretaria de Segurança Pública do Estado de Santa Catarina, Cleto de Oliveira foi até a residência do professor solidarizar-se e se inteirar dos fatos.

Na delegacia, os policiais apresentaram a versão de que Nilson Lage estava alc_olizado e foi detido por “desacato à autoridade”. No registro dos PMs não há relatos de violência. Isto preocupa as entidades que acompanham o caso, pois temem que o corporativismo possa encobrir a violência. O SJSC e a FENAJ estão buscando agendar uma audiência oficial com o governador de Santa Catarina para exporem os fatos e reivindicarem uma investigação isenta do caso.