Objetivo dos patrões é impedir a regulamentação da profissão

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Após reação contundente ao ataque do jornal o Estado de São Paulo à FENAJ pela aprovação, na Câmara dos Deputados e Senado, do Projeto de Lei Complementar (PLC) 079/2004, a Federação voltou a ser alvo de novos ataques e deturpações pelo jornal O Globo. O veículo desinforma a população, apresentando que o projeto – que atualiza as funções privativas dos jornalistas – fere a liberdade de expressão. A entidade sustenta que o objetivo patronal é inviabilizar a regulamentação profissional dos jornalistas.

O PLC 079/2004 estabelece que para exercer o Jornalismo a pessoa tem que estar qualificada, com curso superior específico, o que evita o exercício da profissão por quem não está habilitado e garante o direito da sociedade à informação de qualidade. Deturpando os fatos, porém, o jornal O Estado de São Paulo iniciou a ofensiva patronal contra os jornalistas e suas organizações, acusando a Federação de aplicar um golpe. Em nota oficial emitida no dia 12 de julho, a entidade reagiu. “Adeptos de golpes são o Estadão e outros veículos de comunicação de massa do País. Eles, sim, apoiaram a ditadura militar, desde o primeiro instante do golpe ocorrido em 1964, e continuam a apoiar, cotidianamente, os mais diversos golpes que a elite brasileira desfere contra o povo”, disparou o documento.

No combate à valorização e regulamentação da profissão dos jornalistas, a ofensiva patronal ganhou novos contornos no jornal O Globo de 12/07, que “alertando” para os riscos à “liberdade de expressão” caso a regulamentação dos jornalistas seja mudada, ouviu os presidentes do Conselho Nacional de Arquivos, do Conselho de RPs e da ANJ. O repórter entrevistou longamente o Presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Mas nenhuma linha foi publicada. “Essa é a democracia das empresas. É um belo exemplo de anti-jornalismo, de manipulação de informação e hipocrisia patronal”, protestou Murillo, lembrando que, na edição de 13/07, o periódico da família Marinho fez campanha pela quebra do regimento do Senado estimulando um “jeitinho” para a matéria não seguir para sanção presidencial.