Ataques racistas contra Basília Rodrigues, Ester Cauany e Zara Figueiredo exigem responsabilização

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A Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (CONAJIRA) e a Comissão de Mulheres da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifestam seu mais veemente repúdio à onda de ataques racistas dirigida às jornalistas Basília Rodrigues e Ester Cauany e à secretária nacional de Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, Zara Figueiredo. As ofensas dirigidas às três mulheres evidenciam a persistência do racismo e da misoginia racial na sociedade brasileira e reafirmam a urgência de enfrentar todas as formas de discriminação.

Tais ataques não podem ser considerados episódios isolados nem aleatórios. Estas mulheres ocupam espaços de destaque, liderança e influência em suas áreas de atuação, e é justamente essa presença que o racismo, articulado ao sexismo, busca deslegitimar. Ao direcionar ofensas a seus corpos, cabelos, traços e identidades, os agressores tentam desqualificar suas trajetórias profissionais, questionar suas competências e intimidar não apenas essas mulheres, mas todas aquelas que rompem barreiras históricas e reivindicam seu lugar nos espaços de poder e de decisão.

No caso das jornalistas Basília Rodrigues e Ester Cauany, essa violência também representa um ataque à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade de contar com um jornalismo plural, diverso e comprometido com a democracia. O racismo direcionado a profissionais da comunicação não afeta apenas as vítimas, mas compromete o exercício da profissão, restringe a diversidade de vozes e empobrece o debate público.

A perspectiva da interseccionalidade permite compreender que raça e gênero não operam de forma isolada. Mulheres negras enfrentam formas específicas de violência produzidas pela sobreposição de desigualdades históricas, que se intensificam quando elas rompem barreiras e alcançam posições de poder, liderança e reconhecimento. Combater o racismo, portanto, também exige enfrentar as estruturas que insistem em negar a essas mulheres o direito de existir, liderar, informar e transformar.

A CONAJIRA e a Comissão de Mulheres da FENAJ reafirmam seu compromisso com a promoção da igualdade racial, a defesa da liberdade de imprensa e o enfrentamento de todas as formas de discriminação. Manifestamos nossa solidariedade a Basília Rodrigues, Ester Cauany e Zara Figueiredo e defendemos a rigorosa responsabilização dos autores das ofensas, para que o racismo não permaneça naturalizado, especialmente nos ambientes digitais.

Mulheres negras não serão silenciadas. Sua presença nos espaços de poder, na comunicação e nas instituições públicas é resultado de competência, luta e resistência. Racismo não é opinião. É crime e deve ser combatido por toda a sociedade.