FENAJ condena seqüestro e alerta para gravidade do ato

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A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidade representativa dos jornalistas brasileiros, vem a público condenar veementemente o seqüestro da equipe da Rede Globo, formada pelo repórter Guilherme Portanova e pelo auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado, e alertar a sociedade brasileira para a gravidade de situações como esta que colocam em risco a atividade jornalística no país.

O seqüestro é um crime hediondo e, portanto, injustificável em qualquer situação. Neste caso específico é ainda mais repudiável por se tratar de uma ação contra dois trabalhadores no exercício de suas funções profissionais com o objetivo de impor uma exigência à empresa empregadora.

A história internacional recente mostra que a organização do crime gera ataques diretos aos agentes do Estado e aos jornalistas e empresas jornalísticas. Os casos da Itália, nos anos setenta e oitenta, e recentemente na Colômbia, nas décadas de oitenta e noventa, demonstram o perigo que paira sobre as instituições nacionais quando o crime assume uma configuração orgânica.

Por outro lado, sinaliza para a urgente revisão das políticas de segurança e carcerárias em curso no país. A retórica de reduzir as políticas públicas de segurança à repressão e a incapacidade do estado – sucateado por anos de políticas neoliberais – responder à altura da crise produziram uma situação limite que precisa ser pensada na sua complexidade por toda a sociedade.

Até que políticas sociais retirem o país da vergonhosa situação de campeão mundial de concentração de renda e conseqüente campeão de desemprego, até desenvolvermos patamares mínimos de cidadania, a imprensa – e os jornalistas em especial – passam a ser objetos possíveis de ataques como o ocorrido no final de semana. Assim, garantir a segurança dos funcionários é uma obrigação das empresas e uma necessidade dos trabalhadores e das suas entidades de classe.

A FENAJ aprova publicamente a atitude da Rede Globo de atender as exigências dos seqüestradores para garantir a vida de seus funcionários. Para nós, a ação da Rede Globo não configura qualquer submissão a grupos criminosos, mas sim um ato de valorização da vida humana.

Como entidade representativa dos jornalistas, a Federação reitera a exigência às empresas de comunicação de valorização profissional e das relações de trabalho e linhas editoriais realmente voltadas ao interesse público como forma de garantirmos o exercício seguro e responsável do jornalismo.

Por fim, como os milhões de brasileiros que se indignam com a violência, pedimos uma ação enérgica e eficaz dos governantes para que tenhamos mais justiça social, efetivas políticas públicas de segurança e conseqüentemente, menos violência em nosso país.

Diretoria da FENAJ
Brasília, 14 de agosto de 2006