Patrões fazem conluio para intensificar o arrocho salarial

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Os jornalistas brasileiros podem sofrer mais uma grande perda salarial neste ano. Em praticamente todo país, as negociações coletivas de salários estão emperradas pela deliberada ação dos empresários do setor de não negociar nem mesmo a reposição da inflação. Ainda mais grave é a posição do patronato de não aceitar que os impasses sejam resolvidos pela Justiça do Trabalho.

Dos 31 Sindicatos de Jornalistas filiados à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) apenas oito conseguiram fechar suas convenções e/ou acordos coletivos. Em muitos casos, as negociações arrastam-se desde o início do ano. E em pelo menos um Estado, Alagoas, os patrões recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para reverter a decisão do TRT, que julgou o dissídio coletivo e determinou a reposição salarial pela inflação do período (9,83%).

Para a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas, está evidente que houve um conluio das empresas do setor para intensificar o arrocho salarial imposto à categoria. Os prepostos das empresas foram para as negociações coletivas decididos a não aceitar a reposição salarial anual, reconhecida como um direito dos trabalhadores pela Justiça do Trabalho.

As empresas também se negam a discutir questões sem impacto econômico, como a implementação da Cláusula de Consciência – para garantir ao jornalista o direito o exercício ético da profissão – e a adoção de medidas para garantir a segurança dos jornalistas quando expostos a situações de risco.

A categoria dos jornalistas é uma das que mais sofreram nos últimos anos com demissões em massa, sobrejornadas, precarização das relações de trabalho, desvalorização profissional e baixos salários. Já não há como se promover mais arrocho sem aviltar as condições de vida dos jornalistas.

Por isso a categoria está reagindo com força e vai continuar a lutar por melhores condições de trabalho e de vida. Em muitos estados as tentativas de negociação continuam e estão amparadas por manifestações de indignação. Em outros, os Sindicatos de Jornalistas buscaram a Justiça do Trabalho na expectativa de que terão reconhecidos seus direitos à reposição salarial que, na prática, é o direito à não redução do salário.

A assessoria jurídica da FENAJ, por meio do advogado trabalhista Claudismar Zupiroli, afirma que a proposição do dissídio coletivo, mesmo sem a concordância dos patrões, é a melhor saída quando não há perspectivas de reais negociações.