Prosseguem movimentos por melhores salários e condições de trabalho para jornalistas

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A mobilização dos jornalistas por melhores salários e condições de trabalho é intensa em vários Estados. No Ceará e em Minas Gerais a categoria conquistou bons acordos. Mas persiste o impasse nas negociações no Paraná e no Rio Grande do Norte. Veja, também, a decisão dos jornalistas da Infoglobo de irem à Justiça em defesa de seus direitos e informações sobre mudanças na direção do Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora.

No Ceará categoria aprova acordo
Em assembleia realizada no dia 29 de outubro, os jornalistas de jornais, revistas e assessorias de imprensa do Ceará aprovaram a contraproposta patronal de 5,55% de reajuste para o piso, retroativo a 1º de setembro. O percentual supera o índice da inflação dos 12 meses que antecedem a data-base de impresso (4,29%), representando ganho real de 1,16%. Com isto, o piso unificado da categoria (redator, noticiarista, repórter, arquivista-pesquisador, revisor, ilustrador, repórter-fotográfico e diagramador) passa para R$ 1.364,12. Para os salários acima do piso e demais cláusulas econômicas (seguro e reportagem especial), o reajuste foi de 5%.

Jornalistas de Minas fecham o ano com ganho real
Em assembleias gerais realizadas por locais de trabalho entre os dias 25 e 27 de outubro, os profissionais de jornais e revistas de Minas Gerais aprovaram, com 163 votos a favor, 47 contra e 3 abstenções, a contraproposta patronal que prevê reajuste de 6% sobre os salários e pisos da categoria (INPC de 5,3% e ganho real de 0,7%). O pagamento será realizado em duas parcelas nas próximas folhas. Com o fechamento de mais este acordo, o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais conquistou ganho real para os pisos e salários em todas as convenções coletivas firmadas neste ano. Os jornalistas de rádio e televisão conquistaram um abono de R$ 1.100,00, mais ganho real de até 9% no piso salarial. No interior do Estado, todos os acordos também asseguraram ganho real para a categoria.

No Paraná negociações não avançam e Sindicatos promovem protesto
Nova reunião entre os Sindicatos dos Jornalistas do Paraná e do Norte do Paraná com representantes patronais ocorreu dia 5 de novembro, em Curitiba. Mas não houve avanços porque os patrões vêm insistindo em impor perdas aos jornalistas, que querem não apenas reposição salarial e garantia de direitos, como também aumento real que lhes é negado há 14 anos. Nova rodada de negociação ficou agendada em princípio para o dia 17 de novembro. A mobilização da categoria prossegue nesta quinta-feira (11/11). Os dois sindicatos orientam a categoria a usar roupas pretas ou roxas em seus locais de trabalho, em sinal de protesto.

Jornalistas do Rio Grande do Norte se mobilizam por salário digno
Após duas rodadas de negociação da campanha salarial dos jornalistas do Rio Grande do Norte, a categoria decidiu intensificar a luta em defesa de suas reivindicações. Com o menor piso salarial de jornalistas no País (R$ 900,00), os profissionais reivindicam um salário base de R$ 1.500, criação de auxílio-alimentação de R$ 220,00, entre outras cláusulas. Intransigentes e sovinas, os patrões querem a extinção de piso salarial, reajuste de 3,50% (proposta que não repõe nem a inflação do período) e fim do anuênio, entre outras propostas rebaixadas. A conclusão da categoria foi de que tal contraproposta é uma vergonha. E a decisão não poderia ser outra senão ir a luta por dignidade e respeito.

Profissionais da Infoglobo vão à Justiça para garantir seus direitos
Após várias negociações e diante da intransigência da direção da Infoglobo, que em agosto rompeu unilateralmente o acordo que permitira a implementação do ponto para o pagamento de horas extras e concessão de folgas, os jornalistas da empresa, reunidos em assembleia geral extraordinária no dia 4 de novembro, aprovaram por unanimidade que o Departamento Jurídico do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro entre com ação na Justiça para cobrar uma série de direitos que deixaram de ser cumpridos nos últimos cinco anos. Entre os pedidos, estão o pagamento do valor equivalente a uma hora de descanso e alimentação, entre outubro de 2005 a setembro de 2009, o pagamento de 21 horas extras mensais referentes ao período de setembro de 2009 a outubro de 2010 e o pagamento das horas extras de todos os jornalistas que trabalharam na Copa do Mundo.

Sindicato de JF tem novo presidente
O repórter de política do jornal Tribuna de Minas e professor universitário Ricardo Miranda é o novo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora. Ele assume em substituição a Nélson Toledo, que renunciou ao cargo por motivos pessoais. A secretária geral, Lúcia Schmidt, também pediu afastamento do cargo, mas continuará assessorando e ajudando a entidade indiretamente.