Trinta e cinco jornalistas foram assassinados na América Latina durante 2010, o que a torna a região mais perigosa para o exercício do Jornalismo. México (14), Honduras (9) e Colômbia (7) são os países com maiores taxas de criminalidade e mais alto grau de impunidade. Segundo relatório da organização não governamental Campanha Emblema de Imprensa (cuja sigla em inglês é PEC), 105 jornalistas foram assassinados em 33 países no ano passado.
Para a Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc), 2010 foi um ano de exercício do jornalismo em um ambiente de agressões, perseguições, precarização das condições de trabalho, demissões e fechamento de meios de comunicação. Segundo a entidade, é particularmente preocupante a situação no México, que é atormentado por uma guerra entre cartéis do narcotráfico, com pelo menos 20 mil civis mortos, 67 jornalistas vitimados desde o ano 2000, 3 jornalistas desaparecidos durante o último ano e a ausência de mecanismos eficazes para proteger a imprensa.
Enquanto isso, em Honduras, os assassinatos ocorreram durante o governo de Porfírio Lobo, que assumiu o cargo em 27 de janeiro de 2010, após meses de violência desencadeada depois do golpe que derrubou o presidente constitucional, Manuel Zelaya.
Em seguida na lista de jornalistas assassinados na América, Latina estão Colômbia e Brasil, com dois casos de homicídio, e a Guatemala, com um. Por outro lado, foram registrados, de janeiro a setembro de 2010, 113 ataques contra jornalistas na Venezuela e relatados novos indícios de perseguição sistemática e ilegal contra os jornalistas e os meios de comunicação pela polícia secreta da Colômbia, o Departamento Administrativo de Segurança (DAS), vinculado diretamente à Presidência da República.
Segundo a Fepalc, além das agressões físicas, a violência da desregulamentação do trabalho foi sentida em 2010 especialmente na Colômbia, Peru, República Dominicana, Chile e Venezuela. Na Colômbia, as violações dos direitos dos trabalhadores têm convertido frequentemente jornalistas em vendedores de publicidade e objeto frequente de chantagem do governo. No Peru, centenas de jornalistas perderam seus empregos, sob o argumento da redução do quadro de pessoal em face das mudanças tecnológicas, racionalização de custos de produção ou simplesmente em função de déficits financeiros das empresas. E os jornalistas mais afetados pelas políticas antilaborais têm sido os mais antigos e que recebem salários mais altos.
Já na República Dominicana, segundo os dados da Fepalc, em 2010 foram fechados pelo menos oito meios de comunicação de massa durante o período eleitoral. O Chile enfrenta o encerramento do jornal La Nacion, prejudicando 600 famílias de trabalhadores, que seriam despedidos por determinação da política do governo de Sebastián Piñera. O governo detém 69% das ações do La Nacion e a demissão em massa só não se configurou por força de uma medida judicial.
Além dos os assassinatos e desregulamentação trabalhista, a Fepalc denunciou, em documento lançado no final de dezembro, a alta concentração da propriedade dos meios de comunicação como uma das principais agressões contra as liberdades de expressão e de imprensa, impedindo ou dificultando a definição de marcos regulatórios nacionais e internacionais pela democratização da comunicação na Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
“Os conglomerados de mídia em poucas mãos são uma forte ameaça para a democracia conquistada a duras penas nos últimos anos, diminuindo a diversidade, o pluralismo, a qualidade da informação e da identidade cultural dos nossos povos”, diz o documento assinado por Celso Schröder e Zuliana Lainez, presidente e secretária de Direitos Humaos da Fepalc, respectivamente..
Solidariedade
A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) lançou uma campanha mundial de solidariedade e apoio à luta da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Meios de Comunicação do Chile (Fenatramco) para salvar 600 empregos dos trabalhadores do diário chileno La Nacion. Para aderir ao movimento, clique aqui.
Com informações da FepalcC, da FIJ e da Agência Brasil





