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Os jornalistas da TV Brasil estão revoltados com um procedimento que a emissora passou a adotar em novembro passado. Para entrar na empresa, os profissionais são obrigados a deixar bolsas, sacolas ou mochilas em armários na portaria e só podem resgatá-las na saída, depois do expediente. Veja, também, informações sobre a campanha em defesa do programa A Voz do Brasil, o fim da Campanha Salarial 2010 em Sergipe e sobre a moção de solidariedade da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira) a jornalistas angolanos.
Para agravar os efeitos dessa decisão, desastrosa por si só, os profissionais da empresa são alertados por seguranças para o fato de que, em caso de sumiço de um equipamento ou objeto da empresa, quem leva bolsas ou sacolas para a redação já entra automaticamente no rol dos principais suspeitos pelo delito. A decisão da emissora não é adequada sob nenhuma hipótese. Trata-se de um constrangimento. É ilegal e abre um perigoso precedente, contrário às mais elementares normas de civilidade e respeito no relacionamento entre seres humanos. Nenhuma outra empresa de comunicação adota procedimento semelhante nem se ouve falar na hipótese de ele vir a ser usado em um futuro próximo. Para garantir a segurança do patrimônio de uma empresa e até de seus empregados, já se comprovou a eficiência das câmeras de vigilância, inclusive dentro das redações. Em tempos sofisticados de avançada tecnologia, é inadmissível que uma empresa adote métodos medievais, em nome de sua segurança, e passe a ver em cada empregado um inimigo em potencial. As boas relações de trabalho se consolidam de forma inversa. O Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro repudia o procedimento adotado pela TV Brasil e aguarda que ele seja revogado em caráter definitivo, em nome do bom senso e do respeito profissional pelos seus empregados. Trabalhadores devem ser tratados com apreço e consideração. É inadmissível que profissionais de uma emissora pública, a quem talvez caiba dar os exemplos, sejam submetidos a constrangimentos e muito menos intimidados com ameaças veladas de seguranças despreparados. Entidades preparam campanha em defesa do programa A Voz do Brasil Jornalistas de Sergipe aprovam acordo Jornalistas brasileiros se solidarizam com companheiros de Angola A situação é considerada um desrespeito aos profissionais da informação e fere os princípios de liberdade de opinião e expressão da Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo XIX. “Os jornalistas brasileiros, irmanados com os jornalistas angolanos principalmente através da língua oficial em comum aos dois países e da cultura marcada pela preponderância dos povos angolanos como ascendentes na formação do povo brasileiro em algumas regiões, e, considerando a Comunicação Social como um direito comum universal e instrumento para avançar a democracia nas sociedades, repudiam veemente essa situação, acreditando que o governo angolano possa intervir de forma a garantir o que rege a sua Constituição”, diz o documento.
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